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Dados e Medição
Antes de investir em anúncios, ponha a medição de pé

Há um relatório que aparece em quase todas as reuniões de arranque: impressões, cliques, alcance. Números grandes, todos verdadeiros, e nenhum deles responde à única pergunta que interessa — quantos clientes é que isto trouxe e quanto custou cada um. Sem medição, um investimento em anúncios é uma aposta com relatório bonito.
O que é preciso estar de pé antes do primeiro euro
Não é muito, e é quase sempre isto:
- Analytics instalado e a receber. O Google Analytics 4 é o mínimo. Instalado não chega: tem de estar a receber dados verificados.
- Conversões definidas. Um formulário submetido, um clique no WhatsApp, uma chamada, uma encomenda. Cada uma com nome próprio, não «evento 1».
- Consentimento tratado. Com o RGPD, medir sem consentimento não é opção; o modo de consentimento existe exatamente para isso e a CNPD publica o enquadramento em português.
- Origem identificada. Saber se o contacto veio de pesquisa, de anúncio, de redes ou de indicação — e conseguir dizê-lo três meses depois.
Cliques não são clientes
Um clique é uma pessoa que abriu a página. Um contacto é uma pessoa que se identificou. Um cliente é uma pessoa que pagou. Entre os três há quedas enormes, e é nessas quedas que se decide se a campanha vale a pena — não no custo por clique.
Sem conversões instaladas antes do investimento, qualquer relatório é uma opinião com gráficos.
COSMOS Growth
Isto tem uma consequência prática incómoda: nas primeiras semanas o número que interessa quase nunca é o do painel de anúncios. É o do CRM, ou da caixa de entrada, ou do bloco onde se aponta quem ligou. Se essa ponte não existir, o resto é ruído.
O que costuma aparecer quando a medição entra
A medição raramente confirma o que se esperava. Os padrões que mais vezes encontramos são estes:
- Uma parte substancial dos contactos vem de páginas que ninguém achava importantes.
- A campanha com mais cliques não é a que traz mais contactos — e às vezes é a que traz os piores.
- O telemóvel traz a maioria das visitas e converte bastante pior, quase sempre por um formulário longo demais.
- Metade dos contactos perde-se depois do formulário, num passo interno que não tem nada a ver com marketing.
Nenhuma destas conclusões se tira de um relatório de impressões. E todas mudam onde vale a pena pôr dinheiro no mês seguinte.
Medir também é decidir o que não medir
Painéis com trinta indicadores servem para impressionar, não para decidir. Na prática bastam quatro: contactos gerados, custo por contacto, taxa de fecho e valor médio. Com estes quatro consegue-se dizer se o canal paga o que custa. O resto é diagnóstico, e só se abre quando um dos quatro se desalinha.
É também aqui que o CRO entra: melhorar a página em vez de comprar mais tráfego para a mesma página fraca. Está descrito em analytics e CRO.
Por onde começar esta semana
- Escreva a lista de ações que valem dinheiro no seu site. Se não couber em cinco linhas, ainda não está clara.
- Confirme que cada uma dispara um evento e que o evento chega ao Analytics.
- Ligue o formulário a onde a equipa comercial trabalha de facto.
- Só depois abra a torneira dos anúncios — e leia como os canais se dividem em turnos.
Se o site ainda vai nascer, a medição é mais barata de instalar agora do que remendar depois; a decisão de base está em website, loja online ou sistema à medida. E se quiser que olhemos para o que já tem antes de mexer em nada, o diagnóstico não custa nada.
Escrito pela equipa da COSMOS